Estamos em tempos de bola no campo, de angustiantes minutos diante de um aparelho de televisão, à espera que um lampejo de genialidade aconteça do nada e transforme nossos pulmões em potentes alto-falantes transmissores de gritos do mais puro prazer e euforia...verdadeiros banhos de alma... Esta é a magia do futebol.Ganhar ou perder são os temperos da saga humana na copa do mundo .
Pelos caminhos tortuosos dos Ronaldinhos, Figos, Felipões e Parreiras vamos nos deparar com um velho ditado das Bavieras terras: “Comer e beber mantém corpo e alma unidos“....Pois é,estamos na Alemanha,terra das cervejas ,uma paixão nacional igual ou superior ao futebol ,normalmente acompanhadas de salsichas brancas temperadas com ervas, limão e mostarda doce,ou então , apimentadas servidas com molho de tomate picante aromatizado com curry e batatas fritas (as Currywurst), joelhos de porco divinamente assados , Boulettes ,uma espécie de almôndegas fritas ,saladas de batatas, pretzels e é claro, o já mais do que comum por estas bandas Apfelstrudel...
Falar de futebol é obrigatoriamente falar de Brasil, e falar de Brasil é falar de café e se o assunto é café, senhores, podem sentar, porque há muito o que falar; para começar o Brasil é o maior e um dos melhores produtores e exportadores de café verde do mundo (nome que se dá ao café pronto para ser enviado ao torrefador).
Tal qual o futebol os números afirmam a superioridade brasileira, o problema é que mais uma vez, como no futebol ,os melhores grãos vão para fora, ou seja os melhores desaparecem ao serem usados em “ Blends” de marcas mundialmente renomadas ou vendidos a clientes priveligiados . Aí sim , ao contrário do futebol, o cenário tende a mudar já que o interesse pelos cafés de qualidade tem aumentado e muito nos últimos anos.A torcida é grande.
A primeira iniciativa começou em 1989 com a criação do selo de pureza ABIC.
O surgimento de butiques especializadas no produto, redes de cafeterias com bom café expresso também têm contribuído de forma significativa para evolução e refinamento do paladar. Muitas dessas “cafeterias” permitem ao cliente fazer na hora o seu próprio “Blend” ,misturando cafés de regiões diferentes.
Sobre a origem do café existem controvérsias, mas uma das mais aceitas é a de que o Pastor Kaldi, por volta do ano 800 ,nas montanhas da Etiópia,África,teria notado que as cabras do seu rebanho ao comer certas frutas vermelhas de uma arbusto ficavam agitadas e cheias de energia.Intrigado, Kaldi, recolheu algumas frutinhas e comentou com o Abade do mosteiro onde trabalhava.O abade tratou logo de fazer uma bebida com a tal planta que o deixou muito mais disposto e com certeza acabou com a sonolência dos monges durante as orações...
Dali, o café migrou para a Arábia,no séc. X ,os árabes descobriram o sabor da bebida preparada com a água fervente. O nome café vem do árabe KAHONA ou QAHWA (o excitante).
No Brasil, chegou por meio de uma pitoresca história onde um desbravador brasileiro chamado Francisco de Melo Palheta por volta de 1727 de passagem por Caiena,capital da Guiana Francesa, enamorou-se pela esposa do Governador local e ao que aprece paixão esta retribuída e na despedida a dama lhe ofereceu um vaso de flores com algumas mudas de café escondidas... Palheta passou a cultivar as mudas no estado do Pará, o resto, bom, o resto é história...
Os modos de se preparar são vários:
– Café ao modo brasileiro – O pó deve macerar na água quente sem fervendo no fogo baixo depois passado em um coador de pano que resulta em um café forte e aromático.
– Café no filtro de papel – O pó deve ser espalhada uniformemente sem ser apertadoe água deve ser despejada lentamente,sem mexer com a colher.Seu café é suve e aromático.
– Cafeteira Italiana ou Moka - Esta cafeteira tem duas partes e um filtro fazendo a ligação com formato semelhante ao bule.A água é colocada na parte inferior e o pó no filtro o calor faz com que a água passe pelo filtro e suba para a parte superior.Café forte , levemente amargo e de aroma intenso.
– Expresso - É considerado o mais nobre sistema de preparo.Inventado em 1946 pelo italiano Achille Gaggia.A água passa pelo pó sob pressão de 9 atmosferas e com a exata temperatura de 90C ,num tempo que varia de 25 a 30 segundos.O resultado é uma bebida concentrada,de aroma e sabor intensos,bom corpo,persistente no paladare coberto com um denso creme de cor de avelã.O expresso bem tirado tem creme espesso e duradouro,cor homogênea e retém o açúcar durante alguns segundos....
Bom , chega de café que já deu vontade de correr para a cafeteria mais próxima ...mas antes de encerrar o assunto, eu não poderia deixar de dizer que além das várias possibilidades de preparo, ele combina bem com drinques e como um toque especial , em algumas preparações gastronômicas.
Receitas, eu anexarei aí ao lado esquerdo da coluna.
Nas mãos o livro “Banquete”, de Roy Strong , uma história dos costumes ,da culinária e principalmente da fartura à mesa desde a antiga Roma e o seu Convivium passando pelos jantares nas varandas das Vilas italiana do Renascimento ,o casamento de Napoleão e Maria Luiza e terminando no banquete de coroação de Eduardo VII em 1902... este definitivamente o ultimo grande banquete , que pode ser visto como o fim de uma era...
Nos ouvidos Donald Fagen, “Morph the cat”, fundador do legendário Steely Dan .Uma elegante e sofisticada mistura de pop-rock-jazz americano .Acho que não precisa dizer mais...
E é neste clima e espírito de festa e comemorações que me despeço de vocês ,
ma boa Copa do Mundo para todos, que vençam os realmente melhores e que me perdoem todos os Santos, Santo Antonio, São Pedro e, principalmente, São João que estavam escalados para esta matéria e foram sumariamente substituídos para junho do próximo ano ... afinal de contas, é ano de Copa.
Pedro Rui Botelho
pedrorui@servifacil.com.br