Por
conta de uma série de atribulações
andava meio afastado das letras e por
conseqüência das palavras temperadas
que criam este espaço.
Mais um ano termina e junto com ele chegam
as celebrações tão
características desta época,um
prato cheio (sem trocadilho) para quem
aprecia a arte de comer bem.
A chef de cozinha Carla Pernambuco tem
uma frase que resume magnificamente estas
datas no que se refere à comida
–“Não adianta inventar muito,o
que as pessoas querem mesmo nessa data
è comer Tender,Pernil,Peru “, eu
acrescentaria Rabanadas, Bacalhau e castanhas
portuguesas...
Portanto
neste natal e reveillon meus amigos, nada
de “grandes viagens”, a simplicidade é
quem dita as regras , bem de acordo com
estes novos tempos do aquecimento global
e outras coisitas más...Na realidade,
um resgate do verdadeiro espírito
cristão.
E
já que estamos falando de simplicidade,
retorno às origens, nada mais em
voga do que a culinária Brasileira,
movimento este capitaneado pelo Chef de
cozinha do restaurante D.o.m de São
Paulo, Alex Atala, um icone da nova geração
de mestres cuca.Em tempos de diversidade
gastronômicas Atala diz com muita
propriedade e conhecimento. –“Eu acho
incrível uma cidade como São
Paulo, ter grandes restaurantes italianos,japoneses,
franceses e não ter um brasileiro
de verdade”.
Sábias
palavras.Pois então, que venham
os Atalas e seus novos restaurantes com
a cara e principalmente o gosto do Brasil,
que venham os peixes da Amazônia,
tucupi, mandiocas, mandioquinhas e tapioca...carne
seca, palmito e jambu... caras e sabores
que precisam e devem ser redescobertos.
Então
já que é para se falar do
tradicional vamos então ao velho
e bom peru e seus segredos;
Comparado ao tender, ao pernil, ao leitão,
(carnes normalmente bem mais macias, tenras,
umedecidas, bem temperadas...) o pobre
coitado do Peru leva uma desvantagem,
pois normalmente chega à mesa seco,
sem gosto e na maioria das vezes frio
e se estiver recheado aí sim as
chances de ter sido bem assado reduzem
consideravelmente. Na verdade uma verdadeira
injustiça com o pobre animal, ave
americana que matou a fome dos colonizadores
europeus e por isso se transformou símbolo
do Dia de Ação de graças,
nos Estados Unidos e mais tarde virou
símbolo do Natal em diversos países
e foi incorporada à ceia brasileira
no século XIV.
O
problema é que de fato o peru tem
os seus segredos. Para inicio de conversa
tem dois tipos de carne, a branca do peito
e a escura nas demais partes o que significa
dois tempos de cozimento diferentes, além
de sabores distintos.Quanto maior, mais
tempo no forno e mais tempero se usa,
mas com muito cuidado pois se exagerar
o gosto se perde no cozimento, nos temperos...
complicado, não!? E se tiver recheio
aí sim começa a próxima
confusão pois o mesmo só
deve ser colocado no peru momentos antes
de ir ao forno e jamais um dia antes,
um truque seria colocar o recheio no meio
para o fim do cozimento, pois ele altera
completamente o tempo de cozimento. O
próximo passo é deixar o
peru dourado e crocante pois um peru branquelo
definitivamente não combina com
o clima natalino.
Meus
amigos vale a pena dispensar uma atenção
especial a este preparo, pois com certeza
o retorno será o sorriso estampado
no rosto dos amigos e da família
reunidos...este sim o verdadeiro espírito
natalino .
E para
finalizar em tempos de compras pré
natalinas uma dica de presente saboroso,
o DVD do filme de animação
Ratattouille, simplesmente imperdível..um
programa para todas as idades e sabores...repito,
imperdível para quem gosta da arte
do comer bem .
Pois é, fico por aqui , para todos
os colegas e AMIGOS
DESTA AVENTURA E PAIXÃO
chamada SERVIFACIL
e para todos os leitores deste espaço
eu desejo de coração um
Natal recheado de sabores mas sem esquecer
do homenageado da festa, o fundador do
Cristianismo:
“Eu
sou o pão da vida, quem vem a mim
jamais terá fome “
anunciou Jesus no Evangelho de São
João (6.35).
FELIZ
NATAL !!!
Pedro
Rui Botelho